A governança corporativa é um conceito cada vez mais relevante no mundo dos negócios, especialmente com o crescimento do interesse em práticas ESG, que visam definir se uma empresa é socialmente consciente, sustentável e corretamente gerenciada.
A seguir, entenda como a governança corporativa se destaca como uma estratégia de gestão organizacional que se relaciona com o desempenho de sustentabilidade dos negócios e os benefícios que ela pode render institucionalmente, da força produtiva aos clientes, parceiros e toda comunidade.

O que é governança?
A palavra governança deriva do ato de governar por meio de uma gestão robusta. É exercer autoridade, ter o poder perante algo, administrar, dirigir, monitorar, orientar, organizar e elaborar estratégias de gestão para tomar decisões assertivas, amparadas na ética, transparência, segurança, crescimento e geração de resultados.
Trata-se de um conjunto de boas práticas que visam aumentar a confiança de stakeholders, englobando aspectos como:
- pessoas;
- empresas;
- acionistas;
- fornecedores;
- colaboradores;
- clientes;
- sociedade;
- investidores;
- governo;
- instituições que têm algum tipo de interesse na gestão e nos resultados de um projeto ou da organização, influenciando ou sendo influenciadas (direta ou indiretamente) por ela.
Conceito de governança corporativa
O termo passou a ser utilizado no Brasil a partir dos anos 1990, época em que grandes investidores se mobilizaram questionando empresas com modelos de administração controversos, porque elas prejudicavam seus interesses e de outros acionistas.
Diante da situação, para contornar esses conflitos de administração empresarial e visando garantir os direitos desses grupos, o termo que antes era encarado como algo somente destinado à atuação governamental conquistou espaço na área empresarial, rendendo até a criação do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).
O IBGC fornece diretrizes e parâmetros para que as empresas e demais organizações sejam dirigidas, monitoradas e incentivadas. O instituto considera, principalmente, o relacionamento entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas (stakeholders).
Para que serve a governança corporativa?
Indispensável, serve para lapidar, moldar, aprimorar e otimizar os processos administrativos da empresa, considerando todas as tomadas de decisões de forma estratégica. É um instrumento necessário para melhorias na gestão empresarial. Nesse sentido, a governança corporativa ajuda a:
- analisar riscos de mercado;
- aumentar a rentabilidade de uma empresa;
- tornar processos internos mais eficazes;
- padronizar periodicamente fluxos na equipe;
- garantir a transparência nos processos administrativos;
- gerar confiança em todos as partes interessadas no negócio (stakeholders);
- direcionar, monitorar e avaliar as etapas da gestão empresarial;
- viabilizar o estabelecimento de responsabilidades nas estruturas organizacionais;
- otimizar a tomada de decisões de forma estratégica.
A importância da governança corporativa
Além dos benefícios internos apresentados anteriormente, a governança corporativa também é muito reconhecida no mercado. Por isso, quando aplicadas, as práticas de governança corporativa ajudam a atrair investidores e evitar conflitos.
Pilares da governança corporativa
A governança corporativa se baseia em quatro princípios que, quando aplicados, facilitam as tomadas de decisões e fortalecem uma imagem positiva e eficiente da empresa, tanto interna quanto externamente. Esses pilares são:
Equidade
Estabelece que a empresa deve tratar todos os seus acionistas e stakeholders de forma justa e igualitária. Na prática, isso significa que as decisões tomadas pela empresa devem levar em consideração o impacto em todas as partes interessadas.
Transparência
Envolve a divulgação de informações relevantes e acessíveis a todas as partes interessadas. Através da transparência, uma empresa mostra como suas operações são conduzidas, suas finanças são gerenciadas e como ela se relaciona com seus stakeholders.
Prestação de contas
Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões e atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papéis.
Responsabilidade corporativa
A responsabilidade na governança corporativa envolve a criação de estratégias, análises, fiscalização, adequação, planejamento e diversos outros fatores que promovam um equilíbrio entre a geração de valor da corporação e os interesses de suas partes.
Entendemos que a base governança corporativa é o equilíbrio dos interesses de todas as partes, preservando o valor da empresa e sua longevidade. Esse comportamento resulta em uma maior transparência, garantindo a imagem de uma empresa estável e de pouco risco.
Governança, ética e compliance: qual é a relação?
De acordo com o IBGC, a governança corporativa pode ser definida como “o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas”.
Uma vez que temos as políticas internas, que são responsáveis pela conformidade, pelo cumprimento de normas e regras, garantindo “a transparência de suas atividades, mantendo-se distante de qualquer ilicitude”, fica claro como elas são fundamentais para a governança corporativa.
Ampliando a visão, ambos perpassam a ética corporativa, sendo esta o conjunto de valores, condutas, cultura e posicionamento de uma organização perante a sociedade.
Governança, ética e compliance corporativo estão, portanto, casados. Eles ajudam a fortalecer a imagem, transparência e reputação, na medida que apontam a seriedade e o compromisso na condução dos processos.
Quais as vantagens de seguir boas práticas de governança corporativa?
- evoluir a agenda estratégica social e ambiental da empresa (ESG);
- atrair investimento;
- aumentar a visibilidade de mercado;
- prevenir problemas, erros e fraudes;
- facilitar a captação de recursos;
- reduzir o custo do capital;
- melhorar o desempenho operacional;
- controlar o abuso de poder, uma vez que as decisões não estão na mão de uma só pessoa;
- promover relações transparentes com stakeholders;
- evitar conflitos de interesses;
- impedir o uso de informação privilegiada por poucos interessados.
Dicas para os empregadores

Alinhe expectativas
A implantação da governança corporativa começa com o estabelecimento de uma hierarquia clara, dividida por funções, levando em conta as habilidades de cada membro da equipe. Cada colaborador precisa saber exatamente a quem recorrer para alinhar suas expectativas, definir tarefas e elencar prioridades. O investimento em treinamentos é um exemplo para essa finalidade, o que facilita também a gestão da liderança.
Organize reuniões frequentes com o seu time
As reuniões entre diretores, sócios, equipes e conselho compõem o momento para repassar diretrizes, definir o plano de ações e acompanhar projetos em aberto na empresa. É a partir delas que se ganha uma visão geral dos processos institucionais, verificando a possibilidade de delinear novas estratégias e planos de ação. Esses encontros, onde todos poderão acompanhar as atividades das demais áreas e agregar ideias, devem ser registrados por meio de atas para prestação de contas futuras.
Aplique uma cultura da transparência
É importante demonstrar transparência interna e externamente. A certeza de confiança fortalece e chama a atenção de acionistas. Exemplos de práticas são reuniões mensais com toda a empresa para compartilhamento de resultados e novidades, ações de organização da força produtiva compartilhadas, estímulo à participação dos colaboradores em processos internos, alinhamento com as regras trabalhistas, comunicação clara.
Considere a criação de comitês
A governança corporativa não possui um único modelo, a ser seguido universalmente. O que muitas empresas têm feito é a criação, através do seu conselho de administração, de uma estrutura de comitês estatuários, para ajudar a identificar riscos e oportunidades e, assim, atuar em acordo com a governança corporativa. Eles são compostos pelos comitês de finanças, auditoria, remuneração e responsabilidade social.
Além deles, também encontramos comitês executivos, onde colaboradores de diferentes áreas e níveis hierárquicos se organizam para a discussão de temas relevantes para o aprimoramento de práticas corporativas. Exemplos: comitê de ética, políticas internas, diversidade e inclusão, povos indígenas, sustentabilidade, riscos de mercado, investimentos, governança, saúde, segurança e meio ambiente. Todos eles são úteis para a empresa se tornar mais atuante no mercado e na sociedade estimulando a colaboração interna.
Conclusão
Conclui-se então que a utilização da governança corporativa em uma empresa é de grande valor e importância para a sua gestão, mesmo que importe a tomada de decisões com algumas modificações aceitáveis, devido ao ambiente, políticas e histórico de cada organização. A sua implantação conduz para uma gestão altamente estratégica, transparente, que agrega valor e possui maior garantia de perpetuidade.







