Destaque sua empresa com governança corporativa

Publicado em 24 janeiro, 2024

Atualizado em 11 fevereiro, 2025 | Leitura: 8 min

A governança corporativa é um conceito cada vez mais relevante no mundo dos negócios, especialmente com o crescimento do interesse em práticas ESG, que visam definir se uma empresa é socialmente consciente, sustentável e corretamente gerenciada.

A seguir, entenda como a governança corporativa se destaca como uma estratégia de gestão organizacional que se relaciona com o desempenho de sustentabilidade dos negócios e os benefícios que ela pode render institucionalmente, da força produtiva aos clientes, parceiros e toda comunidade.

Pessoas conversando no trabalho - Imagem de Freepik
Imagem: Freepik

O que é governança?

A palavra governança deriva do ato de governar por meio de uma gestão robusta. É exercer autoridade, ter o poder perante algo, administrar, dirigir, monitorar, orientar, organizar e elaborar estratégias de gestão para tomar decisões assertivas, amparadas na ética, transparência, segurança, crescimento e geração de resultados.

Trata-se de um conjunto de boas práticas que visam aumentar a confiança de stakeholders, englobando aspectos como:

  • pessoas;  
  • empresas;
  • acionistas;
  • fornecedores;
  • colaboradores;
  • clientes;
  • sociedade;
  • investidores;
  • governo;
  • instituições que têm algum tipo de interesse na gestão e nos resultados de um projeto ou da organização, influenciando ou sendo influenciadas (direta ou indiretamente) por ela. 

Conceito de governança corporativa

O termo passou a ser utilizado no Brasil a partir dos anos 1990, época em que grandes investidores se mobilizaram questionando empresas com modelos de administração controversos, porque elas prejudicavam seus interesses e de outros acionistas.

Diante da situação, para contornar esses conflitos de administração empresarial e visando garantir os direitos desses grupos, o termo que antes era encarado como algo somente destinado à atuação governamental conquistou espaço na área empresarial, rendendo até a criação do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).

O IBGC fornece diretrizes e parâmetros para que as empresas e demais organizações sejam dirigidas, monitoradas e incentivadas. O instituto considera, principalmente, o relacionamento entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas (stakeholders).

Para que serve a governança corporativa?

Indispensável, serve para lapidar, moldar, aprimorar e otimizar os processos administrativos da empresa, considerando todas as tomadas de decisões de forma estratégica. É um instrumento necessário para melhorias na gestão empresarial. Nesse sentido, a governança corporativa ajuda a:

  • analisar riscos de mercado;
  • aumentar a rentabilidade de uma empresa;
  • tornar processos internos mais eficazes;
  • padronizar periodicamente fluxos na equipe;
  • garantir a transparência nos processos administrativos;
  • gerar confiança em todos as partes interessadas no negócio (stakeholders);
  • direcionar, monitorar e avaliar as etapas da gestão empresarial;
  • viabilizar o estabelecimento de responsabilidades nas estruturas organizacionais;
  • otimizar a tomada de decisões de forma estratégica.

A importância da governança corporativa

Além dos benefícios internos apresentados anteriormente, a governança corporativa também é muito reconhecida no mercado. Por isso, quando aplicadas, as práticas de governança corporativa ajudam a atrair investidores e evitar conflitos.

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Pilares da governança corporativa

A governança corporativa se baseia em quatro princípios que, quando aplicados, facilitam as tomadas de decisões e fortalecem uma imagem positiva e eficiente da empresa, tanto interna quanto externamente. Esses pilares são:

Equidade

Estabelece que a empresa deve tratar todos os seus acionistas e stakeholders de forma justa e igualitária. Na prática, isso significa que as decisões tomadas pela empresa devem levar em consideração o impacto em todas as partes interessadas.

Transparência

Envolve a divulgação de informações relevantes e acessíveis a todas as partes interessadas. Através da transparência, uma empresa mostra como suas operações são conduzidas, suas finanças são gerenciadas e como ela se relaciona com seus stakeholders.

Prestação de contas

Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões e atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papéis.

Responsabilidade corporativa

A responsabilidade na governança corporativa envolve a criação de estratégias, análises, fiscalização, adequação, planejamento e diversos outros fatores que promovam um equilíbrio entre a geração de valor da corporação e os interesses de suas partes.

Entendemos que a base governança corporativa é o equilíbrio dos interesses de todas as partes, preservando o valor da empresa e sua longevidade. Esse comportamento resulta em uma maior transparência, garantindo a imagem de uma empresa estável e de pouco risco.

Governança, ética e compliance: qual é a relação?

De acordo com o IBGC, a governança corporativa pode ser definida como “o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas”. 

Uma vez que temos as políticas internas, que são responsáveis pela conformidade, pelo cumprimento de normas e regras, garantindo “a transparência de suas atividades, mantendo-se distante de qualquer ilicitude”, fica claro como elas são fundamentais para a governança corporativa.

Ampliando a visão, ambos perpassam a ética corporativa, sendo esta o conjunto de valores, condutas, cultura e posicionamento de uma organização perante a sociedade.

Governança, ética e compliance corporativo estão, portanto, casados. Eles ajudam a fortalecer a imagem, transparência e reputação, na medida que apontam a seriedade e o compromisso na condução dos processos.

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Quais as vantagens de seguir boas práticas de governança corporativa?

  • evoluir a agenda estratégica social e ambiental da empresa (ESG);
  • atrair investimento;
  • aumentar a visibilidade de mercado;
  • prevenir problemas, erros e fraudes;
  • facilitar a captação de recursos;
  • reduzir o custo do capital;
  • melhorar o desempenho operacional;
  • controlar o abuso de poder, uma vez que as decisões não estão na mão de uma só pessoa;
  • promover relações transparentes com stakeholders;
  • evitar conflitos de interesses;
  • impedir o uso de informação privilegiada por poucos interessados.

Dicas para os empregadores

Mulher escrevendo em um papel enquanto outra mulher e um homem a observam sorrindo. Representação de governança corporativa - Imagem de Drazen Zigic no Freepik
Imagem: Freepik

Alinhe expectativas

A implantação da governança corporativa começa com o estabelecimento de uma hierarquia clara, dividida por funções, levando em conta as habilidades de cada membro da equipe. Cada colaborador precisa saber exatamente a quem recorrer para alinhar suas expectativas, definir tarefas e elencar prioridades. O investimento em treinamentos é um exemplo para essa finalidade, o que facilita também a gestão da liderança. 

Organize reuniões frequentes com o seu time

As reuniões entre diretores, sócios, equipes e conselho compõem o momento para repassar diretrizes, definir o plano de ações e acompanhar projetos em aberto na empresa. É a partir delas que se ganha uma visão geral dos processos institucionais, verificando a possibilidade de delinear novas estratégias e planos de ação. Esses encontros, onde todos poderão acompanhar as atividades das demais áreas e agregar ideias, devem ser registrados por meio de atas para prestação de contas futuras. 

Aplique uma cultura da transparência

É importante demonstrar transparência interna e externamente. A certeza de confiança fortalece e chama a atenção de acionistas. Exemplos de práticas são reuniões mensais com toda a empresa para compartilhamento de resultados e novidades, ações de organização da força produtiva compartilhadas, estímulo à participação dos colaboradores em processos internos, alinhamento com as regras trabalhistas, comunicação clara.

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Considere a criação de comitês

A governança corporativa não possui um único modelo, a ser seguido universalmente. O que muitas empresas têm feito é a criação, através do seu conselho de administração, de uma estrutura de comitês estatuários, para ajudar a identificar riscos e oportunidades e, assim, atuar em acordo com a governança corporativa. Eles são compostos pelos comitês de finanças, auditoria, remuneração e responsabilidade social.

Além deles, também encontramos comitês executivos, onde colaboradores de diferentes áreas e níveis hierárquicos se organizam para a discussão de temas relevantes para o aprimoramento de práticas corporativas. Exemplos: comitê de ética, políticas internas, diversidade e inclusão, povos indígenas, sustentabilidade, riscos de mercado, investimentos, governança, saúde, segurança e meio ambiente. Todos eles são úteis para a empresa se tornar mais atuante no mercado e na sociedade estimulando a colaboração interna.

Conclusão

Conclui-se então que a utilização da governança corporativa em uma empresa é de grande valor e importância para a sua gestão, mesmo que importe a tomada de decisões com algumas modificações aceitáveis, devido ao ambiente, políticas e histórico de cada organização. A sua implantação conduz para uma gestão altamente estratégica, transparente, que agrega valor e possui maior garantia de perpetuidade.

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Viviane Bersi

Colunista convidada do Escala, é professora de graduação e pós-graduação em direito e recursos humanos, gestora e consultora em RH e relations affairs.
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