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Remanejamento de enfermagem: aspecto crítico para a prática profissional

Publicado em 2 outubro, 2024

Atualizado em 3 julho, 2026 | Leitura: 11 min

Uma tarefa crítica no trabalho do enfermeiro é o remanejamento de enfermagem. Um dos subprocessos da área enquanto prática social, coletiva e produtiva, o remanejamento de enfermagem reforça o papel do enfermeiro como articulador em prol tanto de resultados clínicos quanto institucionais. 

É um profissional-chave para essa tomada de decisão que interfere diretamente na dinâmica de trabalho. Aprenda sua importância e como colocá-la em prática.

Enfermeiras fazendo remanejamento de enfermagem, uma veste máscara na outra - Imagem de Freepik
Imagem: Freepik
Conteúdo
A importância das escalas no trabalho da enfermagem
Escala de trabalho e a necessidade de remanejamento de enfermagem
Riscos no remanejamento de enfermagem
A visão da equipe técnica de enfermagem sobre o remanejamento
Solução tecnológica para remanejamento de enfermagem
Conclusão

A importância das escalas no trabalho da enfermagem

O enfermeiro desenvolve muitas competências que o colocam na posição de liderança de equipes e serviços, tanto na sua formação quanto na sua trajetória profissional, mas a permanência da equipe de enfermagem 24 horas junto ao paciente durante a internação hospitalar torna o cuidado integral, qualificado e seguro absolutamente interdependente da prática de enfermagem.

É nesse aspecto que a elaboração da escala de enfermagem, como uma atividade gerencial do enfermeiro, extrapola a perspectiva instrumental e burocrática e dá sentido ao trabalho desenvolvido pela enfermagem e à assistência prestada ao paciente. 

Significa que a escala de pessoal é uma ferramenta de planejamento e organização do trabalho da enfermagem nos diferentes turnos e impacta na (sobre)carga de trabalho e na produção do cuidado de enfermagem: integral, seguro e qualificado. 

Você pode explorar mais sobre a gestão de escalas neste meu artigo – lá discutimos os desafios e as boas práticas na organização das escalas e, também, é possível conhecer os avanços tecnológicos que facilitam essa tarefa e agregam valor para o trabalho da enfermagem e para as instituições de saúde.

Escala de trabalho e a necessidade de remanejamento de enfermagem

A equipe de enfermagem, especialmente aquela que trabalha em turnos no serviço hospitalar, é composta por enfermeiros, técnicos e/ou auxiliares de enfermagem, podendo também atuarem as parteiras, de acordo com o escopo de formação e atribuições especificadas na Lei do Exercício Profissional da Enfermagem.

Esses profissionais organizam as atividades pessoais e profissionais com base nas escalas de trabalho. Os dias de folgas e férias são programados previamente e seguem parâmetros legais e institucionais funcionando como um cronograma para o trabalhador.

Além das ausências previstas (folgas e férias), a escala de trabalho norteia o profissional de enfermagem quanto ao local onde deverá atuar, ou seja, a unidade e o turno, dependendo de sua jornada diária.

Geralmente, os hospitais optam por equipe de enfermagem fixa em determinada unidade. Isso quer dizer que no processo de recrutamento, seleção e admissão ou transferência/promoção profissional, o trabalhador é alocado em determinada unidade dentro de uma instituição de acordo com o seu perfil profissional. 

Esse planejamento de pessoal de enfermagem por unidade deve considerar um quantitativo de profissionais para atender as necessidades de cuidados de enfermagem e as demandas qualitativas da unidade (conhecimentos necessários, habilidades exigidas e resultados almejados). Na enfermagem, há diretrizes específicas para o dimensionamento de pessoal, sobretudo na atenção hospitalar.

Mas quando esse dimensionamento não é adequado e o quadro de profissionais de enfermagem é insuficiente para atender as demandas da unidade naquele turno de trabalho, em muitos cenários de prática adota-se o deslocamento de um ou mais colaboradores de uma unidade assistencial para outra dentro do mesmo hospital. 

E é esse movimento de realocação para atender as demandas institucionais que é o remanejamento de enfermagem.

Além do dimensionamento insuficiente, o remanejamento de enfermagem entre áreas dentro do hospital pode ser necessário quando:

– a distribuição das folgas e férias na escala de trabalho não é equilibrada concentrando-se, como exemplo, aos finais de semana (no caso de folgas) ou em meses de férias escolares (no caso das férias). Esse desequilíbrio gera turnos ou períodos com equipes deficientes;

– há ausências imprevistas (justificadas e injustificadas) e a escala fica comprometida em virtude das demandas de trabalho requerendo deslocamento de profissionais para cobertura dessas faltas;

– as demandas extrapolam o que está previsto. Por exemplo: a ocupação da unidade ultrapassa a capacidade instalada e as condições para atendimento com a equipe escalada ficam inviáveis; ou quando há instabilidade clínica de pacientes na unidade e aumenta a dependência de cuidados de enfermagem.

Via de regra, entende-se que o remanejamento de enfermagem deve priorizar a segurança do cuidado, mas essa decisão não está isenta de riscos e de conflitos interpessoais. Gerenciar as causas que motivam o remanejamento de pessoal é o primeiro passo para minimizar os riscos, as insatisfações e os conflitos no contexto laboral.

Riscos no remanejamento de enfermagem

Os estudos sobre remanejamento de enfermagem são escassos, mas os riscos que podem ocorrer pela falta de experiência do profissional de enfermagem quando remanejado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram publicados, recentemente, no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, dentre eles:

– conflitos interpessoais e insatisfação profissional;

– desorganização das atividades na UTI devido à dificuldade de localizar materiais e equipamentos; 

– limitação no desempenho das tarefas pela falta de manejo nos cuidados e prática na manipulação do aparato tecnológico;

– redução da produtividade e da qualidade dos serviços prestados;

– eventos adversos com pacientes e acidentes ocupacionais.

Os Conselhos de Enfermagem reconhecem a prática de remanejamento interno de profissionais de enfermagem entre setores, mas destacam como princípios:

– o profissional deve possuir inscrição ativa no Conselho de Classe e as competências técnicas, científicas, ética e legal precisam ser avaliadas pelo enfermeiro antes de decidir pela atuação do profissional na respectiva área;

– o dimensionamento de pessoal de enfermagem deve seguir as diretrizes do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), incluindo o Índice de Segurança Técnico (IST) como possibilidade para diminuição do remanejamento entre setores para cobertura das ausências imprevistas;

– o profissional deve aceitar a proposta de remanejamento de setor, sentindo-se seguro para atuar na unidade, caso contrário a recusa deve ser respeitada;

– programas de educação permanente devem capacitar os trabalhadores de enfermagem a prestarem assistência qualificada, independente do setor, havendo clareza sobre essas demandas.

Diante da necessidade de remanejamento de enfermagem e da insegurança profissional em assumir as atividades de enfermagem em outra unidade, os conselhos de classe recomendam registro junto ao enfermeiro responsável técnico informando a necessidade de treinamento específico e capacitação do profissional para atender as demandas dos pacientes internados no hospital.

Enfermeiros conversando sobre remanejamento de enfermagem - Imagem de Freepik
Imagen: Freepik

A visão da equipe técnica de enfermagem sobre o remanejamento

Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo destaca que a escala e o remanejamento de enfermagem entre unidades de trabalho são ações gerenciais de responsabilidade do enfermeiro. 

Os enfermeiros também podem ser remanejados de setor para atenderem as demandas de outra unidade, seguindo os preceitos já mencionados e a decisão de outro enfermeiro que esteja, por exemplo, na função de avaliar as necessidades das unidades de trabalho de forma sistêmica. Todavia, a equipe de enfermagem de formação de nível médio, como técnicos e auxiliares, constitui o maior número de profissionais de enfermagem nos hospitais brasileiros e acaba vivenciando com maior frequência a necessidade de remanejamento para outro setor.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais identificou conceitos e percepções dos técnicos de enfermagem acerca do remanejamento e apresentou tanto fatores positivos como negativos dessa prática. Na visão da equipe técnica de enfermagem:

– o remanejamento é uma situação necessária e cotidiana no trabalho da enfermagem;

– é importante estabelecer critérios para que o remanejamento seja realizado de forma igualitária e equilibrada;

– é possível acordar escala fixa de remanejamento, ou seja, quando fica sinalizado em escala quem será remanejado, se necessário; mas nem todos os técnicos concordam com este modelo;

– há divergência de opiniões entre equipes e turnos sobre a comunicação e deliberação do remanejamento, ou seja, há diferença na forma com que enfermeiros líderes comunicam, participam e acordam com as equipes e isso gera (in)satisfação profissional;

– os técnicos de enfermagem entendem a necessidade de decidir pela melhor reorganização da equipe nas unidades para não gerar malefícios aos pacientes e, nesse sentido, compreendem como uma medida de segurança para o cuidado de enfermagem;

– outra percepção positiva refere-se à oportunidade de aprender em outra unidade habilidades ainda não desenvolvidas e de crescer profissionalmente;

– por outro lado, a sobrecarga de trabalho relacionada ao remanejamento do profissional para uma unidade onde há ausência(s) e elevada demanda de trabalho gera desconforto à equipe;

– a dificuldade individual de adaptação com outra equipe, outras atividades e a barreira em relação à mudança e ao desconhecido também são aspectos dificultadores no remanejamento de enfermagem;

– a falta de objetividade na proposta de remanejamento e o tempo dispendido entre a detecção da necessidade, a negociação e a decisão do enfermeiro para deslocamento de um profissional para outro setor comprometem a dinâmica de trabalho da enfermagem;

– mudanças programadas entre os setores de maior incidência de ausências associadas às ações de educação permanente dessas equipes para atuarem em unidades/rotinas diferentes foram sugeridas pela equipe como alternativas para reduzir desconfortos no trabalho.

Solução tecnológica para remanejamento de enfermagem

Enfermeiro fazendo remanejamento de enfermagem online em tablet - Imagem de Freepik
Imagem: Freepik

O Escala Jornadas é uma plataforma online que auxilia no gerenciamento das escalas de enfermagem com funcionalidade de remanejamento online. Pelo sistema, uma área pode solicitar profissionais para outra, e a ferramenta levanta uma lista dos colaboradores aptos à movimentação, considerando parâmetros como o histórico de atuação. São dados para apoiar as decisões do organizador. 

Todos da equipe têm acesso ao Escala, que possui versão web e app. O profissional remanejado é notificado pelo sistema, e a escala é atualizada a cada mudança.

Para uma experiência mais completa, o remanejamento do Escala Jornadas pode ser usado com o seu módulo de dimensionamento. A funcionalidade é configurada com as regras da categoria e pode ser integrada a sistemas de monitoramento de demanda, informando de forma contínua ou até preditiva a cobertura mais adequada da escala, com uma visão simultânea e atualizada dos setores.

Só no Einstein Hospital Israelita, onde o Escala foi desenvolvido, esse dimensionamento assertivo com a solução gerou uma economia de 85% de horas extras em um único mês. A instituição, eleita entre as melhores do mundo, possui um case com o sistema em remanejamento de enfermagem envolvendo seu time de hospitalistas.

“O dimensionamento do Escala Jornadas é muito prático. Permite a visão de todas as unidades de gestão e a alocação assertiva dos colaboradores, obedecendo as regras e especificidade das unidades”, relata Alexandra Fernandes, coordenadora do time multiprofissional de hospitalistas do Einstein.

Conheça o módulo de dimensionamento online do Escala Jornadas

Conclusão

– A necessidade de remanejamento de profissionais para outra unidade dentro do hospital é uma realidade no trabalho de enfermagem e representa um aspecto crítico para a prática do enfermeiro.

– A imprevisibilidade do remanejamento de enfermagem gera desconfortos e pode resultar em riscos para pacientes, profissionais e instituições de saúde.

– Ao enfermeiro compete gerenciar estratégias, como o remanejamento, para organização das equipes e coordenação do trabalho de enfermagem.

– Mapear os setores que mais solicitam remanejamento de pessoal de enfermagem, avaliar a incidência e os motivos das ausências e/ou deficiências nas escalas de trabalho são ações primordiais.

– Gerenciar indicadores de remanejamento de enfermagem por unidade, turno e profissional, bem como promover comunicação participativa e um processo de educação permanente efetivo suscitam melhores resultados.

– Por fim, utilizar soluções tecnológicas para apoiar o processo decisório no remanejamento de enfermagem é uma questão promissora.

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Danielle Cucolo

Colunista convidada do blog do Escala, a enfermeira e pesquisadora é docente na pós-graduação da PUC Campinas, membro da Rede de Estudos e Pesquisa em Dimensionamento e Planejamento da Força de Trabalho em Saúde (ReDimensiona) e doutora em Ciências da Saúde.
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