Flexibilidade cognitiva: o que é e como chegar lá

Publicado em 2 março, 2022

Atualizado em 8 julho, 2022 | Leitura: 6 min

Que o mercado de trabalho é outro da pandemia pra cá, isso é incontestável. E entre as inúmeras lições que trouxemos desse período de adaptação, o papel da flexibilidade ganhou destaque. Uma das tendências para o setor de recursos humanos (RH) das empresas, essa postura é também ponto-chave para qualquer outro funcionário ou mesmo profissionais à procura de oportunidades. A seguir, saiba mais sobre a tão requisitada flexibilidade cognitiva e como conquistar essa soft skill.

Brain anatomy photo created by jannoon028 - Cérebro de papel amassado com ícones de ideia ao redor
Imagem: Freepik

O que é flexibilidade cognitiva

Flexibilidade cognitiva é a nossa capacidade de adaptação. Sabe aquela ideia fora da caixa? É isso. Mesmo em diferentes contextos e situações, a flexibilidade cognitiva é o que nos leva a pensar em soluções diversas e menos óbvias. 

Uma pessoa que tem essa habilidade bem desenvolvida tem a tendência a se adaptar mais rapidamente, ser tolerante e atuar em diferentes situações com maior facilidade e encarando diversas perspectivas. 

Mas vale o alerta: o nosso cérebro gosta mesmo é de padrões. A ciência já sabe que quando pensamos em algo pela primeira vez, o órgão logo atribui um padrão a esse pensamento, e o resultado é que ao pensar na mesma coisa em momentos posteriores lá estarão as mesmas vias neurais em ação.

O interessante, porém, é que ao aprender algo novas conexões são construídas no nosso cérebro. E isso alimenta nossa flexibilidade cognitiva, pois quanto mais conexões, melhores habilidades vamos adquirindo. 

Na prática, a ideia é exercitar o cérebro para desenvolver essa capacidade. Veja alguns caminhos possíveis.

Como ter flexibilidade cognitiva

Jigsaw puzzle photo created by jcomp - Pessoas montando quebra-cabeça
Imagem: Freepik

Mude

Sabe o caminho que você pega todos os dias para o trabalho ou mesmo a mão dominante que você usa para executar tarefas do dia a dia? Cogite alterá-los. Como você viu, a mudança é o combustível para a flexibilidade cognitiva, pois nos traz novos aprendizados. Assim, apostar em alterações na rotina, mesmo que pequenas, despertará novas conexões no cérebro. Que tal pensar em outras formas de desempenhar aquela atividade que você faz todos os dias no trabalho, hein?

Aprenda

Além de pensar em novas maneiras de executar uma tarefa rotineira, mais um aspecto a favor da flexibilidade cognitiva é aprender algo novo do zero. Aí entram, por exemplo, os famosos hobbies. Aprender um instrumento, outro idioma ou até um novo esporte são opções para sair da mesmice e ainda dedicar seu tempo a atividades que não estejam relacionadas ao trabalho, reduzindo o estresse. Mais do que o cérebro, o humor sai ganhando com isso!

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Ouça

Ouvir diferentes opiniões e pensar sobre elas é um exercício muito bem-vindo quando falamos em flexibilidade cognitiva. Afinal de contas, cada pessoa pode ter uma proposta diferente para resolver um mesmo problema, e só vamos conhecer essa variedade de alternativas ao ouvir os colegas com atenção.

Adote um novo olhar para o erro

Desde a infância, na maioria das vezes, aprendemos que errar é um problema. Mas ser tolerante com os erros é fundamental para estimular a flexibilidade cognitiva. Testar, errar e tentar de novo é um processo riquíssimo para explorar novas possibilidades e o pensamento criativo. 

Exemplos de flexibilidade cognitiva no trabalho

Business people talking photo created by pch.vector - Pessoas colando post-it em vidro e fazendo brainstorming
Imagem: Freepik

Dinâmicas

Para ouvir os funcionários é preciso, em primeiro lugar, que eles se sintam à vontade para expressar suas ideias. Ambientes corporativos muito rígidos podem intimidar e a tendência de quem não se abre a novas ideias é executar sempre as mesmas coisas do mesmo jeito. Agora, se a proposta é apostar na flexibilidade, dinâmicas como o brainstorming podem ser ótimas opções.

A famosa tempestade de ideias é uma técnica de dinâmica de grupo em que cada colaborador apresenta as suas sugestões. Criada pelo publicitário Alex Osborn em 1948, a proposta é dar espaço para a diversidade de pensamentos para extrair as melhores alternativas.

Apresente o problema e peça para que cada funcionário proponha uma solução. Isso pode ser feito em painéis online, post-its, uma lousa. Mas lembre-se que o que fica de fora do brainstorming é o julgamento – não há ideias boas ou ruins, certo ou errado. Isso é fundamental para criar um ambiente acolhedor e convidativo para que todos se expressem. 

Métodos inovadores

O trabalho híbrido ou totalmente remoto são outros exemplos de flexibilidade cognitiva no trabalho. Antes estávamos acostumados a nos deslocar diariamente para a empresa e exercer nossas tarefas de lá, batendo ponto do escritório e realizando reuniões presencialmente. Mas veio a pandemia e evitar aglomerações se tornou uma medida necessária para conter a transmissão da covid-19. Empresas que se adaptaram a esse cenário, testando novas modalidades de atuação e ferramentas tecnológicas, provaram que a flexibilidade cognitiva faz parte do seu core.

Outros exemplos de flexibilidade cognitiva no trabalho estão em negócios que reveem métodos de executar atividades rotineiras com novas soluções. Uma grande empresa de logística, por exemplo, repensou a organização das escalas de trabalho dos seus funcionários e conseguiu, ao mesmo tempo, ajustar o atendimento de acordo com a demanda e reduzir horas extras.

Um grande hospital também viu as taxas de absenteísmo dos seus colaboradores caírem após adotar novas soluções. Definido como a ausência não programada dos funcionários (seja por faltas, atrasos ou saídas antecipadas), o absenteísmo gera prejuízos e pode refletir uma série de falhas nas empresas que levam à desmotivação. 

E a falta de organização e transparência é um dos principais problemas. Mas ambas foram corrigidas no hospital por uma solução com armazenamento em nuvem, que distribui plantões e folgas sem infringir os limites válidos na empresa. Mais uma vez, foi preciso pensar fora da caixa para rever estratégias e colher melhores resultados.

Políticas

Quando falamos em flexibilidade cognitiva também entra em cena a diversidade. É muito importante que as empresas desenvolvam políticas de inclusão nas oportunidades oferecidas, afinal, quanto mais diverso o quadro de colaboradores, maiores as chances de trocas e riqueza de vivências. Políticas que fomentem o respeito às diferenças no dia a dia da empresa são igualmente bem-vindas. 

Conheça a prática de recrutamento que visa a diversidade

Outro exemplo é estimular projetos multidisciplinares, assim pessoas de equipes diferentes se conhecem melhor e trocam seus conhecimentos e experiências em prol de um mesmo objetivo.

Project team photo created by cookie_studio - Quatro pessoas trabalhando em uma mesa
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Como você viu, a flexibilidade cognitiva nos prepara para lidar com situações adversas e nos adaptar com mais facilidade. Fundamental no mercado de trabalho e em todos os aspectos da vida, essa habilidade merece espaço na sua organização. E para conhecer outras práticas aliadas do RH, continue navegando no nosso blog.

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Tatiane Quintiliano

Especialista em escalas de trabalho nos modelos mensalista e horista, acumula mais de 20 anos de experiência em recursos humanos (RH).
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